Não sei como dar um titulo a isso
aqui, talvez eu dê algo como “O que é que esta acontecendo aqui” ou quem sabe
“Quem é essa ai papai?” ou melhor, já sei “Que que isso Tadeu Schmidt?”.
Qualquer pessoa que goste de provérbios já deve ter escutado esse: Cuidado com
o que desejas. Em 2015 o desejo nacional foi voltado para água, queremos água
cada vez mais, queremos a Cantareira transbordando, queremos remendos nas
rachaduras da caatinga, queremos água para lavar nossas calçadas sem multa,
queremos ter qualquer hora para tomar um senhor banho, seja ele depois da
balada, no fim de tarde calorento ou em uma manha matinal.
Já dizia esse texto cheio de
provérbios, não cuspi para cima, que o cuspi pode cair na testa, hoje antes de
pegar meu “barco” para sair ao trabalho, liguei o noticiário e vi literalmente
uma enxurrada de tragédias causadas por essa semana de chuva, famílias
desabrigadas, estradas interditadas, cidades praticamente afundadas, mas a
entrevista de um senhor foi quem me chamou a atenção (irônico não? Tudo isso
acontecendo e o que mais me chamou atenção foi meras palavras), o senhor
relatou o seu ocorrido, perdeu alguns itens de eletroeletrônicos e alguns
pertences estimados, estava desejando que a chuva pudesse dar apenas uma trégua
para colocar as suas coisas em ordem, mas quando o entrevistador pergunta para
onde ele vai, o mesmo responde: “Casa, moradia e abrigo a gente dá um jeito o
que não tem mesmo como fazer é fazer chuva na seca.” – Senhorzinho da TV.
Aquela pausa dramática.
É chuva em excesso? É, mas o que
seria do mundo sem os excessos, o que seria do amor sem a loucura, o ódio sem a
fervura, o carinho sem o cuidado, os rios não alagados, as matas não
oxigenadas? A tragédia vai passar (para alguns que perderam vidas em vez de
itens talvez não, talvez demore anos para um dia chegar a virar saudade), mas a
chuva, que cai restaurará o que estava preste a se acabar, a água. Então Tadeu Schmidt, me diz que que é isso? É culpa ou alivio?


GOSTEI!
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